O meu fascínio pelos nomes portugueses leva-me a uma procura incessante por nomes que ainda não fazem parte da minha base de dados. Infelizmente, já é raro encontrar nomes novos, sobretudo que possam ser minimamente apelativos para os dias de hoje. Por outro lado, apesar de estar muito familiarizada com os nomes mais usados pelos portugueses noutros séculos, nunca deixo de me impressionar quando encontro alguns em listas dos séculos XVI ou XVII, porque me parecem demasiado frescos para serem usados por senhores e senhoras de trajes medievais.
Um exemplo flagrante é Ângela. Para mim, Ângela é e sempre será um nome muito jovial e, até, moderno. Pensar que era um dos nomes mais usados em 1650, parece quase impossível mas, a verdade, é que, nesse tempo, uma Ângela podia ser irmã de uma Jerónima e de uma Joana, de um Bento ou de um Francisco!
Olhando para uma época mais recente, Ângela ganhou fulgor a partir de 1960 e, em 1996, ainda estava no top 50 de nomes femininos mais registados em Portugal, com 284 registos. Desde então, usa-se cada vez menos e em 2016 foi escolhido apenas para 25 meninas. Esta perda de popularidade poderá fazer com que entre para o lote dos nomes datados mas, na minha opinião, Ângela continua a ser uma opção interessante, sobretudo para quem quer um nome bastante enraizado na sociedade portuguesa, mas internacional, e para os que procuram afastar-se dos nomes da moda, mas que também não querem optar por nomes demasiado invulgares.
E já que falamos em Ângela, há outro nome que também se encontra muito em documentos antigos, mas que talvez seja mais difícil de agradar: Angélica. Pessoalmente, prefiro Ângela, que considero mais suave e delicado; além disso, na minha ordem de preferências, Angélica também perde para Angelina, que faz mais o meu estilo.
O que acham destes três nomes? Qual deles preferem? Sabiam que Ângela era tão popular na época medieval? Acham-no apelativo ou consideram-no demodé?